C6 Fest 2026: o que deu certo e o que pode melhorar no festival mais fino do Brasil
The XX foi uma das principais atrações do C6 Fest 2026 Divulgação Desde sua estreia em 2023, o C6 Fest, em São Paulo, se consolidou como um festival de ót...
The XX foi uma das principais atrações do C6 Fest 2026 Divulgação Desde sua estreia em 2023, o C6 Fest, em São Paulo, se consolidou como um festival de ótimas atrações – não há texto elogioso sobre o evento que não cite a palavra “curadoria”. A essa altura, é o tipo de evento que dá pra comprar de olhos fechados, sabendo que não vão faltar bons shows, desde o jazz no auditório até o rock, indie pop e eletrônica nos palcos externos. Na edição de 2026, que aconteceu entre os dias 21 e 24 de maio, não foi diferente. Entre clássicos como Robert Plant (que se apresentou com a banda Saving Grace e Suzi Dian) e novidades como a francesa Oklou, o festival conciliou nomes de diferentes tamanhos e públicos e garantiu, pela primeira vez, um dia esgotado (o domingo). O festival é "fino", astral, e é um dos melhores do Brasil — justamente por entender o seu tamanho e, fundado por um banco, ter recursos para priorizar a qualidade acima do lucro. É um privilégio raro para festivais, que às vezes têm que "se vender" para se manter de pé e equilibrar as contas. Neste ano, foi uma edição quase perfeita, com pequenos problemas que não tiraram a qualidade, mas podem melhorar a experiência do público nos próximos anos. Veja, abaixo, o que deu certo e o que pode melhorar no C6: O que deu certo Oklou, cantora francesa, no C6 Fest Divulgação Esgotado, mas sem 'treta' Mesmo com ingressos esgotados no domingo, a experiência no público nunca foi desagradável no sentido de lotação: as atrações do C6 reuniram fãs, sim, mas sem confusões na grade ou plateia abarrotada. Essa é uma característica do C6, aliás. O line-up sempre tem nomes com público, mas que não costumam atrair uma galera fanática. Isso garante uma experiência sempre confortável para a plateia, que vê os shows sem grandes problemas. Ótimos shows Pode soar repetitivo, mas sempre é preciso elogiar os shows do C6. Em muitos sentidos, o festival faz o que o Primavera Sound ainda batalha para fazer bem no Brasil: traz ótimas atrações de diferentes gêneros, com uma linha de curadoria coerente e com espaço para shows intimistas de jazz. Neste ano, o festival teve alguns dos seus melhores shows, com The XX, Oklou, Robert Plant e Cameron Winter (do Geese) entre os destaques. Robert Plant se apresenta no C6 Fest 2026 Divulgação Parque ainda é o melhor O espaço do Parque Ibirapuera, que sedia o evento desde o início em São Paulo, é o que mais valoriza o festival. Enquanto outros festivais internacionais da cidade acontecem no Autódromo de Interlagos, o C6 se destaca por acontecer em um espaço bem localizado, organizado e plano. Também são destaques os palcos belíssimos (caso da arena Heineken, que usa o espaço do auditório para enormes projeções) e o auditório, que recebe os shows que exigem atenção ao detalhe. O que ainda pode melhorar (Leve) perrengue Neste ano, o C6 teve um leve perrengue no sábado (23), com uma grande chuva que atrapalhou os primeiros shows e forçou o público a se "esconder" onde podia. Quem perdeu muito com isso foi a ganense Amaarae, que viu seu público dispersar ao longo do show. Quase não havia proteção para "proteger" do temporal, e a organização até distribuiu capas de chuva, mas logo acabaram. Mais tarde, claro, o parque virou um lamaçal. Os tablados espalhados em frente aos palcos ajudaram, mas não resolveram totalmente. Para as próximas edições, pode ser preciso aumentar as áreas cobertas. Volume baixo e público que não engajou Conversa em show sempre tem, mas em algumas apresentações na arena externa, o som estava consideravelmente mais baixo que a voz da galera. Foi um problema tanto do volume do som quanto do público, que muitas vezes não se preocupava em fazer silêncio para ouvir Robert Plant cantar. Ou Russo Passapusso, líder do Baianasystem, com notória dificuldade para conseguir uma resposta do público à altura da energia das músicas. Essa característica não é de hoje. Em 2025, o g1 apontou que um lado negativo do festival foi a grande quantidade de convidados da organização e dos patrocinadores. A impressão é que muita gente vai para a resenha, não para curtir os shows. Bem no final de semana da virada... A grande crítica a essa edição é a escolha de datas. Um festival em maio é bem-vindo, já que os outros se concentram no início e no fim do ano, e o clima frio combina com a "vibe" do C6. Mas assim como em 2025, o festival coincidiu com a Virada Cultural de São Paulo, maior evento gratuito da cidade. É uma pena que, quando São Paulo pulsa cultura, o público tenha que escolher entre os eventos. Magdalena Bay se apresenta no C6 Fest 2026 Divulgação