O que se sabe sobre o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita

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O que se sabe sobre o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita
O que se sabe sobre o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita (Foto: Reprodução)

Trump com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita Reuters Os governos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita fecharam um acordo que permite ao país árabe enriquecer urânio no meio de seu programa nuclear civil. Segundo os jornais "New York Times" e "The Wall Street Journal", o texto deve ser assinado ainda nesta quarta-feira (22) na Casa Branca. O acordo terá validade de 30 anos e prevê a participação de empresas americanas no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita. A aprovação, entretanto, ainda depende da análise do Congresso dos EUA. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A proposta enfrenta resistência de parlamentares dos EUA e de autoridades internacionais, preocupados com os riscos de uma proliferação nuclear no Oriente Médio. O anúncio ocorre em um momento de tensão na região, com o acirramento da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Críticos afirmam que o pacto pode enfraquecer o discurso de Washington contra o programa nuclear iraniano e estimular uma corrida armamentista regional. Nesta reportagem você vai ver: O que diz o acordo? O que o acordo não diz? O acordo depende do quê para ser aprovado? Para que a Arábia Saudita quer um programa nuclear? Por que o governo americano quer ajudar o programa nuclear saudita? Por que o acordo preocupa? Qual a relação com o Irã? EUA fecha acordo nuclear com a Arábia Saudita; petróleo vai a US$ 95 O que diz o acordo? O texto cria uma base legal para a cooperação nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita por 30 anos. Ele abre caminho para que os americanos ajudem no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita e permite, em tese, a construção de uma instalação de enriquecimento de urânio no país. Também garante prioridade às empresas dos EUA na disputa pelos contratos do programa nuclear saudita. O que o acordo não diz? Até onde se sabe, o acordo não obriga os Estados Unidos a transferirem tecnologia de enriquecimento de urânio nem a construírem imediatamente uma usina desse tipo na Arábia Saudita. O novo pacto também não inclui duas salvaguardas consideradas essenciais por especialistas: a cláusula conhecida como "padrão ouro", pela qual o país abriria mão de enriquecer urânio e de reprocessar combustível nuclear usado - de modo a evitar usos bélicos da substância; nem o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que amplia o poder de fiscalização dos inspetores internacionais. LEIA TAMBÉM Exército do Irã diz que vai atacar 'interesses dos EUA' se instalações nucleares forem atingidas EUA investigam se Rússia ajudou o Irã a atacar alvos da inteligência americana, diz agência Trump diz que EUA atacarão 'ponte ou usina elétrica' do Irã sempre que Teerã fizer ataque no Estreito de Ormuz O acordo depende do que para ser aprovado? Pela legislação americana, acordos desse tipo precisam ser enviados ao Congresso dos Estados Unidos para revisão. Os parlamentares terão 90 dias para analisar e votar a medida, cuja decisão pode ser vetada pelo Executivo. Se Trump assim decidir, seria necessária uma maioria de dois terços nas duas Casas do Congresso para contrariar o eventual veto presidencial. Para que a Arábia Saudita quer um programa nuclear? O governo saudita afirma que pretende usar energia nuclear para diversificar sua matriz energética, reduzir as emissões de carbono e economizar petróleo e gás, que hoje abastecem a maior parte da geração elétrica do país. A ideia é utilizar a energia atômica em atividades como dessalinização da água do mar e uso de ar-condicionado, aumentando a quantidade de petróleo disponível para exportação. Em janeiro de 2025, o reino também anunciou que pretende enriquecer urânio para produzir "yellowcake", um concentrado usado como matéria-prima para combustível nuclear. Por que o governo americano quer ajudar o programa nuclear saudita? Para Washington, o acordo traz vantagens estratégicas e econômicas. Além de abrir um mercado bilionário para empresas americanas, ele mantém os Estados Unidos como principal parceiro do programa nuclear saudita, reduzindo o espaço para concorrentes como China, Rússia, França e Coreia do Sul. O governo Trump também avalia que a participação direta dos EUA permitirá acompanhar mais de perto o desenvolvimento do programa e exercer maior influência sobre ele. LEIA TAMBÉM: Por que o Irã está arriscando tanto por causa do Estreito de Ormuz Ameaças e novos ataques: os sinais que mostram que a guerra entre Irã e EUA voltou a escalar Chefe do Pentágono diz que guerra contra o Irã já custou aos EUA quase R$ 200 bilhões Por que o acordo preocupa? Especialistas afirmam que o enriquecimento de urânio, embora tenha aplicações civis, também pode ser usado para produzir material destinado a armas nucleares. Sem salvaguardas adicionais, um país que domine essa tecnologia pode, em tese, enriquecer urânio em níveis suficientes para uso militar. Parlamentares americanos e especialistas temem que o acordo incentive outros países da região a buscar capacidades semelhantes e aumente o risco de uma corrida nuclear no Oriente Médio. Qual a relação com o Irã? A rivalidade entre Arábia Saudita e Irã está no centro do debate. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já declarou que, se o Irã desenvolver uma arma nuclear, seu país fará o mesmo "o mais rápido possível". Além disso, críticos observam que o acordo pode enfraquecer um dos argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar sua campanha militar contra o Irã: a oposição ao enriquecimento de urânio em território iraniano. Para esses analistas, permitir essa mesma atividade na Arábia Saudita pode gerar questionamentos sobre a coerência da política americana para a região.